Papagaio tem fama de ser irreverente, safado, boca suja. Pois aquele não era nada disso. Também, não era pra menos: Era o papagaio do vigário, e só fazia rezar:
- Senhor, escutai as minhas preces! Ouvi minhas súplicas!
Um belo dia, uma das beatas da paróquia procurou o vigário dizendo ter em casa uma papagaia, muito bonitinha, mas muito ordinária: Desbocada, malcriada, rainha dos palavrões.
- É uma vergonha, padre! - Queixa-se a mulher. - Eu não posso mais fazer grupo de estudo bíblico lá em casa, por causa da danada! É só nome feio, o tempo todo! E o pior é que eu tenho afeição pela bichinha, não queria me desfazer dela. O meu sonho era que ela se emendasse! . . .
- Eu tenho uma idéia. Traga a papagaia para passar uns dias em minha casa - sugere o vigário à beata. - Eu tenho lá um papagaio muito educadinho, que vive rezando, certamente convivendo uns tempos com ele sua bichinha vai se endireitar.
A mulher aceita a sugestão e leva a papagaia à casa do padre. Ao chegar com a bichinha no poleiro, encontra o papagaio em suas preces habituais:
- Ouvi, Senhor, minha oração! Escutai o meu clamor. . .
Ao vê-lo, a papagaia, toda sensual, já vai se insinuando:
- E aí, delícia? Vai ficar só no nham-nham-nham aí ou vai encarar o material aqui? Dá pra ser ou tá difícil? . . .
E o papagaio:
- Obrigado, Senhor! Muito obrigado por ouvir as minhas preces!
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